Construção civil: você quer a boa ou a má notícia?

Emerson F. Tormann 3 de dez de 2017
KLEBER SANTOS 29 - Eleições CREA-DF
O SindusCon-SP e a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgaram, em coletiva de imprensa realizada na capital paulista, as estimativas econômicas setoriais da Construção Civil para o encerramento de 2017 e as projeções para o próximo ano.


O cenário base aponta para uma queda de 6,4% na atividade econômica setorial neste ano – contra uma estimativa no início de 2017 que apontava crescimento de 0,5%. A projeção da FGV para o PIB nacional neste ano é de 0,9%. Veja no gráfico abaixo:

Para 2018, o desempenho da construção civil tende a se aproximar mais do restante da economia nacional. A projeção do SindusCon-SP/FGV é de um crescimento de 2% do PIB setorial, enquanto a economia como um todo deve ficar em 2,5%.

Para o presidente do SindusCon-SP, José Romeu Ferraz Neto, há alguns fatores condicionantes para que as expectativas no ano que vem se confirmem:
  • a velocidade de absorção dos estoques de imóveis existentes no mercado; 
  • a regularização dos distratos, que hoje penalizam as incorporadoras; 
  • a efetiva contratação de obras pelo programa Minha Casa, Minha Vida; 
  • o aumento da oferta de crédito imobiliário. 

No caso específico do financiamento, as condições para melhorar o acesso ao crédito passam, segundo Ferraz Neto, por uma evolução positiva no cenário político, com a inflação baixa e queda no juro real. “As obras de infraestrutura terão um ritmo maior somente se houver novas concessões e privatizações, uma vez que os governos deverão voltar a cortar recursos para investimentos.”

Os fatores apontados pelo SindusCon-SP/FGV como determinantes para o crescimento no ano que vem são praticamente os mesmos que, na mão contrária, causaram a recessão setorial neste ano:
  • Excesso de oferta no mercado imobiliário; 
  • Contratações do MCMV ficaram aquém da meta; 
  • Ainda os efeitos da Operação Lava-Jato; 
  • Crise fiscal: corte nos investimentos; 
  • Desemprego elevado e restrições de crédito; 
  • Melhora da confiança empresarial ainda não se refletiu nas decisões de investir; 
  • Nível dos distratos ainda elevado. 

De outro lado, há motivos concretos observados em 2017 para acreditar em uma melhora no cenário:
Emprego e confiança dos empresários pararam de cair;
Mercado imobiliário: melhora (ainda que tímida) nos lançamentos, vendas e nível do distratos;
MCMV: contratações realizadas nos últimos meses de 2017 repercutirão em 2018;
Continuidade do cronograma dos leilões em infraestrutura;
Mercado informal deve favorecer resultado da indústria.

Como se pode concluir a partir da leitura do quadro acima, as incertezas se concentram no cenário político/eleitoral e no quadro fiscal preocupante. Na visão do SindusCon-SP/FGV, a dificuldade em promover reformas sensíveis, como a da Previdência, em um ano de eleições e o eventual surgimento de agendas econômicas heterodoxas dos candidatos à presidência da república serão elementos determinantes para o retorno efetivo, ou não, dos investimentos no País.

» Saiba Mais

Para acessar a apresentação completa, clique em:
https://www.sindusconsp.com.br/wp-content/uploads/2017/11/Dados-coletiva_2017.pdf

Fonte: Construliga
Kleber Souza dos Santos

Engenheiro Agrônomo (UFSC, 1992). Mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente (UnB, 2001). Especialista em Gestão do Agronegócio (UnB, 2009). Especialista em Botânica (UFLA, 2006). Especialista em Administração Rural (UFV, 1995). Candidato à Presidência do CREA-DF, eleições 2017.

Comentar “Construção civil: você quer a boa ou a má notícia?”

Este espaço é democrático no qual você pode opinar. No entanto, comentários ofensivos, desrespeitosos ou com vocabulário inadequado não serão aceitos. Se preferir, envie sua mensagem para kleber@valoriza.eng.br. Obrigado.