Depois de 40 anos engenheiros se reúnem para almoçar no RU

Emerson F. Tormann 16 de out de 2017
KLEBER SANTOS 29 - Eleições CREA-DF
Unida por quatro décadas de amizade, que começou no Minhocão da Universidade de Brasília, turma de engenheiros se reencontra na antiga sala. Celebração inclui até almoço no bandejão universitário

Entre risadas, lágrimas e boas lembranças, um reencontro entre 55 engenheiros civis, no anfiteatro 2 do Instituto Central de Ciência da Universidade de Brasília (UnB), na manhã de ontem, reproduziu o roteiro das aulas que eles assistiam juntos, 40 anos atrás. Com a presença de três professores que ainda lecionam na instituição, a Aula da Saudade começou, às 10h, em meio a abraços calorosos e muita conversa.


Primeiro, todos responderam à chamada. E cada um aproveitou, na hora de responder “presente!”, para relembrar qual era o seu apelido na época de estudante e como a vida seguiu, depois da formatura. Não faltou história para contar. Muitos não haviam pisado na UnB desde a colação de grau, em 1977. A maioria continuou morando na capital, mas havia gente de todo o canto do país e até do exterior.

Alguns ex-alunos seguiram a carreira da engenharia, e outros, caminhos completamente diferentes. Em comum, a grande amizade de 40 décadas e o desejo do reencontro. O sentimento é tão forte que a turma se reúne anualmente, revela José de Paula Júnior, o Jotinha, um dos organizadores. Os dois últimos encontros foram em Maceió (AL) e Natal (RN).


“É sempre um momento de muita emoção, todos ficam ansiosos pela chegada da data. Sem dúvida, a nossa turma é uma das mais unidas e festeiras de toda a UnB, de todos os tempos”, garante Jotinha. Todos concordam. “Realmente, as turmas atuais não têm essa união, não se reúnem com tanta frequência”, comenta o professor João Carlos Teatini de Souza, 69 anos. “Durante os anos em que estou na UnB, nunca vi igual. É de dar inveja.”

Autor do livro Estrutura de Concreto Armado, que está na 3ª edição, Teatini avaliou as mudanças na universidade nos últimos quarenta anos e disse que, apesar do baixo orçamento, a UnB continua sendo uma instituição de ponta. “Evoluímos muito em infraestrutura e na qualidade do curso, que é sempre muito bem avaliado em nível nacional. Cada um aqui pode se orgulhar de ter estudado na UnB, uma das melhores universidades do Brasil.”


Perseguição

A união do grupo também é consequência da repressão sofrida pela universidade durante a ditadura militar. “Durante esse período, muitos colegas ficaram prejudicados, pois perderam algumas matérias, tendo que compor turmas alternadas. Isso proporcionou uma amizade grande porque todo mundo se conhecia e havia uma intensa troca de conhecimento entre os estudantes”, diz Jotinha.

De acordo com historiadores, a UnB foi a instituição de ensino superior que mais sofreu durante o regime militar, com invasões de tropas, demissões de professores e prisões de alunos. “Foi algo diferente do tradicional, não pudemos colar grau dentro da UnB, além do evento ter sido adiado por vezes”, lembra o engenheiro.

O professor Danilo Sile Borges, 76 anos, acompanhou a vida acadêmica da turma. Relembrou histórias, disse que o papel do professor é “sempre estar um passo à frente para orientar”, e deu seu recado. “Como os colegas aqui têm larga experiência profissional, não tenho muito o que falar sobre isso. Então, o alerta é com a saúde. Sugiro que cada um faça acompanhamento médico frequente.”

Tudo igual

No encontro, nenhum colega ficou esquecido. Antes de encerrar a Aula da Saudade, a turma prestou uma homenagem aos 17 alunos já falecidos. E depois, seguiram todos para o Restaurante Universitário, conhecido como Bandejão. O almoço é tradição quando a turma se encontra em Brasília. Jotinha garante que nada mudou: a comida e o ambiente continuam os mesmos. “A única coisa diferente é a estrutura. Quando entramos na UnB, ele funcionava em outro local. Tirando isso, continua tudo igual.”

Animada, a turma emenda três dias de comemorações, que começaram nesta quinta, com um happy hour, e terminam na noite de hoje, com a Festa das Canetas, no Setor de Clubes Sul, reunindo as famílias em torno de muita música, dança, comida e alegria. “Esperamos que seja um momento muito especial, para fechar o nosso evento com chave de ouro”, anima-se Jotinha.

Fonte: CB
Kleber Souza dos Santos

Engenheiro Agrônomo (UFSC, 1992). Mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente (UnB, 2001). Especialista em Gestão do Agronegócio (UnB, 2009). Especialista em Botânica (UFLA, 2006). Especialista em Administração Rural (UFV, 1995). Candidato à Presidência do CREA-DF, eleições 2017.

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