Análise das Crises Hídrica e Energética no Brasil e no Mundo

Emerson F. Tormann 24 de out de 2017
KLEBER SANTOS 29 - Eleições CREA-DF
Cenário Hidro Energético Global – A humanidade enfrenta riscos sem precedentes causados ​​pela mudança climática e degradação ambiental. Os padrões de produção e consumo insustentáveis ​​das sociedades modernas, e especialmente a dependência dos combustíveis fósseis, estão mudando o clima do planeta e prejudicando diversos ecossistemas em uma escala e ritmo extraordinários. Segundo a ONU, mais de 1/3 da população mundial vive hoje em regiões de moderado a alto stress hídrico, com um nível de consumo superior a 20% da sua disponibilidade de água e, em 2040, deverá ser mais de 2/3.

As causas profundas desses graves desafios são econômicas, políticas e culturais. Nosso paradigma econômico não reconhece os limites planetários, muitas vezes devido ao pensamento de curto prazo e às ações inadequadas das externalidades. Desta forma, existe uma necessidade urgente de transformar a compreensão atual de como medimos e valorizamos o crescimento, e como nos relacionamos e gerenciamos os recursos naturais. Essas questões devem ser incluídas na corrente geral da tomada de decisões econômicas e políticas, bem como nas mudanças de práticas e comportamentos do dia-a-dia.

Cenário Hidro Energético Nacional – “Diante do cenário de insuficiência de chuvas e baixa nos reservatórios das usinas hidrelétricas, as distribuidoras de energia elétrica de todo o país farão campanha publicitária para incentivar o consumo consciente de energia. A previsão é que as peças de rádio, televisão e internet sejam divulgadas ao longo de novembro. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), a previsão é de que o nível de armazenamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas fique abaixo do verificado em 2014, ano mais crítico do histórico recente. O Nordeste apresenta o quadro mais preocupante, com os reservatórios operando com apenas 7,59% da capacidade. No Sudeste e Centro-Oeste, o nível das barragens é de 20,45% e no Norte, 25,38%”.

Bandeira Vermelha – “A previsão de escassez de chuvas fez com que o governo anunciasse, no final de setembro, que, em outubro, a bandeira tarifária passaria para a cor vermelha patamar 2. Esta é a tarifa mais cara prevista e implica na cobrança de taxa extra nas contas de luz de R$ 3,50 a cada 100 kWh consumidos. Em setembro, vigorou a bandeira amarela, que aplica uma taxa extra de R$ 2,00 para cada 100 kWh de energia consumidos”.

Problema x Solução Inteligente – A geração energética no Brasil é predominantemente hídrica. Desta forma, sem água, não temos energia. O fato de ser o banho diário o momento do dia em que o brasileiro mais consome esses recursos, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, impacta diretamente na logística hidro energética do país, uma vez que o banho diário, nessas regiões, é o principal causador do efeito “Horário de Ponta”, período entre as 18:00 e 21:00 horas, em que ocorre um aumento médio de 35% na curva de carga do SIN (Sistema Interligado Nacional), momento de maior tensão do ONS.

Desenvolver tecnologias verdes, inovadoras e inteligentes que possam ser implementadas em escala para economizarem água e energia, mantendo e/ou aumentando a segurança e o conforto no consumo desses recursos, é, hoje, uma necessidade e uma tendência cada vez maior no Brasil e em todo o mundo.

Sobre o autor: Claudio Orlandi Lasso é engenheiro eletricista, ecologista e especialista em tecnologias sustentáveis e no desenvolvimento de projetos de eficiência energética e de consumo mais racional de água para a mitigação de crises energéticas e hídricas.
Kleber Souza dos Santos

Engenheiro Agrônomo (UFSC, 1992). Mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente (UnB, 2001). Especialista em Gestão do Agronegócio (UnB, 2009). Especialista em Botânica (UFLA, 2006). Especialista em Administração Rural (UFV, 1995). Candidato à Presidência do CREA-DF, eleições 2017.

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