KLEBER SANTOS 29 - Eleições CREA-DF
Laboratórios de desenvolvimento de produtos da CBMM: produção absorveu R$ 55 milhões nos últimos seis anos

Intensiva no uso de alguns dos recursos naturais, as indústrias da mineração e metalurgia têm destinado parcela crescente de seus investimentos ao aproveitamento da água e da energia, além de matérias-primas, consumidas no processo de produção. Os índices de recirculação de água nas jazidas minerais exploradas por grandes empresas no Brasil atingiram 80%, na média, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O diretor de Assuntos Ambientais da instituição, Rinaldo Mancin, afirma que os projetos desenvolvidos vão além da reciclagem e do reúso. Há avanços com a instalação de plantas de beneficiamento de minérios em circuitos fechados, onde é minimizada a perda de água e inexiste, na prática, a geração de efluentes.

O setor tem diversificado as fontes de água, incorporando novas tecnologias para captação de chuva, e a disposição de rejeitos na forma de pasta, com a implantação de espessadores. Outro avanço é o beneficiamento a seco de minérios, com aproveitamento da umidade natural do ambiente. Em Araxá, no Alto Paranaíba, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), maior produtora mundial de nióbio, está trabalhando para alcançar 97% de recirculação da água usada no processo industrial dentro de dois anos. O presidente da mineradora, Tadeu Carneiro, informa que a estratégia adotada pela empresa permitiu que a planta industrial passasse a reaproveitar 95% do insumo em 2014, um avanço importante perante o índice de 88% observado em 2009.

No ano passado, recircularam no processo de produção da companhia 4,5 milhões de litros de água por hora, fruto de aportes realizados de R$ 55 milhões entre 2009 e 2014. A nova meta torna possível o reaproveitamento de toda a água usada na produção de uma extensa linha de produtos, que inclui ferronióbio, óxidos, ligas de grau vácuo e nióbio metálico. “Estamos caminhado para isso (reciclar 97% de água)”, diz Tadeu Carneiro.

A CBMM mantém, ainda, controle permanente sobre a qualidade da água, segundo o executivo, por meio da coleta de mais de 4 mil amostras por ano em pontos considerados estratégicos na fábrica de Araxá. O material é submetido a 27 mil análises. Com o trabalho, a companhia se antecipa à vigilância à qual é submetida, uma vez que o nióbio contém pequenas quantidades de minérios radioativos, o tório e o urânio, cuja produção é monopólio do estado. Isso faz com que a companhia seja alvo constante de fiscalização pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM). O monitoramento da água é incluído nas auditagens feitas pelo órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia.

Na mesma linha de política visando à sustentabilidade, a mineradora recicla, reaproveita, reprocessa ou autoriza empresas terceirizadas a reprocessar mais de 30 tipos de resíduos. Essas substâncias totalizaram 50 mil toneladas no ano passado. Um pátio de triagem de 6 mil metros quadrados mantido na planta industrial de Araxá organiza os resíduos por categoria e a empresa detém células de disposição de resíduos de classes 1 e 2 de última geração para manejar o material.

A emissão de particulados é controlada com o uso de equipamentos modernos, a exemplo dos chamados filtros de manga, que capturam partículas de emissões de fontes fixas no complexo industrial, impedindo a dispersão delas na atmosfera. Eles permitem a recuperação e eventual reaproveitamento do material coletado no processo de produção, reduzindo os impactos ambientais do processo industrial. Outro mecanismo é uma correia transportadora de minério de 3,2 quilômetros, ligando a mina à unidade de concentração da matéria-prima. O processo elimina o trânsito de caminhões, proporcionando ganhos relativos ao fim de emissões e consumo de combustível e à diminuição dos níveis de ruído.

Fonte: EM
Kleber Souza dos Santos

Engenheiro Agrônomo (UFSC, 1992). Mestre em Gestão Econômica do Meio Ambiente (UnB, 2001). Especialista em Gestão do Agronegócio (UnB, 2009). Especialista em Botânica (UFLA, 2006). Especialista em Administração Rural (UFV, 1995). Candidato à Presidência do CREA-DF, eleições 2017.

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